Temos duas prioridades, mas não podemos resolvê-las aos mesmo tempo (Foto: Tomaz Silva/ABR)

Opinião

Muito louvável a decisão do presidente Michel Temer de decretar a intervenção na segurança pública no Estado do Rio de Janeiro, onde a violência e a criminalidade atingiram níveis inaceitáveis. Este ano, a partir da guerra entre facções, cresceram paulatinamente os roubos, assaltos, furtos, latrocínios, arrastões e assassinatos de policiais.   


Por isso, é correto o ato do presidente, pois a população não pode ficar, indefinidamente, como refém do crime e de acordos ilegais celebrados entre quadrilhas, contraventores, milicianos... etc! Entretanto, causa espanto a solução apresentada por Temer, de suspender temporariamente o decreto para que se vote a reforma da Previdência, diante da impossibilidade constitucional de mudança da Carta Magna simultaneamente a uma intervenção do governo federal em qualquer unidade federativa.


Trata-se de um exemplo enfático da definição pejorativa do tal “jeitinho brasileiro”. Uma ação tática, estratégica e logística no campo da segurança, como precisa ser realizada no Rio de Janeiro, não pode ser simplesmente interrompida temporariamente. A não ser que se combine com os bandidos, solicitando-lhes a gentileza de não se rearmarem, se reorganizarem, suspenderem o tráfico, assaltos e violência, até que o Congresso vote a Proposta de Emenda Constitucional da Previdência.Ora, seria cômico não fosse absolutamente sem propósito! Tanto assim, que a ideia não prosperou. A reforma da Previdência morreu, embora também seja uma prioridade nacional.


Esse episódio expõe de modo claro a falta de planejamento das políticas públicas. Não é de hoje que os economistas alertam, com análises demográficas e matemáticas inquestionáveis, que a conta da Previdência ficaria insustentável; e as áreas de inteligência dos diversos organismos de segurança já identificaram há tempos a gravidade da situação no Rio de Janeiro. Se as medidas necessárias, em ambos os casos, tivessem sido tomadas no momento certo, não estaríamos hoje assistindo, com imensa preocupação, ao choque constitucional de duas prioridades nacionais.

*Rubens F. Passos é presidente da Abfiae, diretor do Sindigraf-SP e economista pela FAAP

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