Espalhar boatarias é crime (Foto: Reprodução/Facebook)

Opinião

A execução da vereadora carioca Marielle Franco tomou de tal forma as redes sociais que transformou este ambiente em um terreno enlameado, nodoso e mal cheiroso, capaz de causar náuseas em estômagos mais delicados. Sim, faltou razão aos acusadores e sensibilidade para com a vítima, antes mesmo de seu corpo ser sepultado no Cemitério do Caju, no Rio de Janeiro. A indústria das notícias falsas (fake news) trabalhou rápido e alimentada por gente mal-intencionada e indigentes, intelectuais ganhou vulto. Assim, precocemente, aquela que foi sacrificada pareceu merecedora do destino violento a ela reservada.

Desta vez, figurões do andar de cima estão entre os portadores e divulgadores da boataria que baixou o nível do debate e elevou o ódio dos comentaristas. No Rio, a desembargadora Maria de Castro Neves reproduziu, na postagem de um amigo, a informação falsa de que Marielle estava “engajada com bandidos” e que havia sido eleita pelo Comando Vermelho, principal facção criminosa da capital fluminense. O deputado Alberto Fraga (DEM) – membro da Bancada da Bala e que foi eleito em 2014 contando com ajuda financeira da fabricante de armas brasileira Forjas Taurus – também bebeu da mesma fonte para difundir a acusação do envolvimento da vereadora com o narcotráfico.

Espalhar boato é crime, e tanto quem o cria quanto quem o divulga está sujeito a pena que varia de 15 dias a seis meses de prisão ou, dependendo do dano causado, pagamento de indenização. Há, inclusive, projetos de lei visando ao endurecimento da punição para este tipo de criminoso. Mas, na certa, a calúnia e a difamação parecem muito mais agradáveis e empolgantes a uma boa parcela da população, que prefere se alimentar de mentiras e espalhar o ódio a se contentar com a verdade.

No caso da parlamentar, pessoas ligadas a ela criou até uma página na internet (www.mariellefranco.com.br/averdade) com a qual se busca colocar os pingos nos is. Na prática, é uma tentativa singela de impedir que a vítima seja morta duas vezes, enquanto seus algozes, do mundo físico e do virtual, seguem bem vivos, livres e impunes.

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Vestígios não são conclusivos, mas podem colaborar com investigação (Foto: Reprodução/Facebook)

Nacional

Especialistas envolvidos na investigação do assassinato da vereadora do Rio de Janeiro Marielle Franco (PSOL) e de seu motorista, Anderson Gomes, teriam identificado fragmentos de digitais nas cápsulas de pistola 9 milímetros usadas no crime.

A princípio, os fragmentos não seriam suficientes para uma comparação com impressões digitais armazenadas em bancos de dados da polícia. Mas poderiam, no entanto, ser confrontadas com as de eventuais suspeitos, segundo informou o jornal "O Globo". 

Outra morte

Um colaborador do vereador Marcello Siciliano (PHS) foi morto a tiros, na noite deste domingo, 8, na Taquara, zona oeste do Rio. De acordo com assessoria de imprensa do parlamentar, Carlos Alexandre Pereira Maria, de 37 anos, era líder comunitário e representava a região na Câmara. Ele identificaria as necessidades dos moradores da área e as repassaria ao vereador.

O crime ocorreu dois dias após Siciliano depor na Delegacia de Homicídios (DH) da Capital sobre o caso da morte da vereadora Marielle Franco (Psol) e de seu motorista, Anderson Gomes, no dia 14 de março, no Estácio, região central do Rio.

Crime precisa de uma resposta (Foto: Reprodução/Facebook)

Opinião

No último 16 de fevereiro, igualmente uma sexta-feira, foi anunciada a intervenção federal na segurança pública do Rio de Janeiro. Boa parte dos especialistas na área revelou a descrença sobre a efetividade da iniciativa. Por outro lado, a população dava sinais de que era preciso fazer algo e manteve a esperança de mudança.

Mas, quase um mês depois, os assaltos, arrastões, tiroteios, mortes e fins de semana violentos continuaram em evidência. E, de acordo com o recorte que se faz, a situação até piorou. E o fato revelador deste Rio de Janeiro sem lei foi o assassinato da jovem vereadora de primeiro mandato Marielle Franco, do PSOL, que, na noite de quarta-feira, foi morta juntamente com o seu motorista, Anderson Pedro Gomes, de 39 anos.

O caso ainda é novo, e é precoce apontar suspeitos. Marielle poderia inclusive ter sido mais uma vítima entre tantas que fazem parte das estatísticas fluminenses. Mas, o fato de a vítima ter sido até então uma crítica feroz da violência policial no Rio de Janeiro faz acender o sinal de alerta sobre a complexidade em torno do episódio. Latrocínio? Vingança? Punição? Acerto de contas? Queima de arquivo? Este tipo de roteiro típico de filmes de gângsteres e de território sem lei foi visto em 2011, quando a juíza Patrícia Accioly foi assassinada por policiais corruptos que estavam sendo julgados por ela.

O crime, como agora, correu o mundo e mostrou a face carcomida de um Rio de Janeiro que, dia após dia, perde a luta para a criminalidade, que se apossou de suas instituições que legislam, julgam e punem.A repercussão negativa da morte de Marielle fez os poderes e autoridades se pronunciarem.

No entanto, mais do que declarações protocolares, o que é preciso mesmo é dar uma resposta para a sociedade a respeito dos motivos que levaram a vereadora à morte, quem são os autores e mandantes e julgá-los à luz das leis. Lamentar, demonstrar pesar já não basta. É preciso investigação e justiça, para que, no País e na cidade onde a impunidade é um convite ao crime, o caso Marielle não seja apenas mais um entre tantos outros em que há o crime, mas não se chega aos culpados.

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