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O Ministério do Trabalho merece uma titular melhor que Cristiane

12/01/2018 8:15 AM / Editorial / Atualizado em 12/01/2018 8:15 am

No dia 27 de dezembro, o então ministro do Trabalho, Ronaldo Nogueira, pediu demissão, sob o argumento de que pretende sair como candidato nas eleições deste ano. Na ordem dos acontecimentos, já tinha substituto certo – o deputado maranhense Pedro Fernandes, do mesmo partido, o PTB, que deveria assumir em 4 de janeiro. Mas aí o caldo entornou e a novela começou. O decano da política nacional e um dos políticos mais influentes do PMDB e do Maranhão, José Sarney, não gostou da escolha e vetou a indicação. Então, a roda da fortuna girou e apontou para a também petebista Cristiane Brasil. A despeito de ser filha do ainda influente Roberto Jefferson, um dos condenados do Mensalão, pesa sobre a deputada federal de primeiro mandato uma condenação pela Justiça do Trabalho, decorrente de um imbróglio com um motorista, que trabalhava sem registro. E aí a Justiça entendeu que a nomeação de Cristiane fere a moralidade administrativa.

Assim, o Ministério do Trabalho, que já foi um dos mais importantes em outros tempos, segue sem comando. Enquanto isso, o Governo se vê refém de uma indecisão, que, em última instância, poderá ter um ponto final com a ministra Cármen Lúcia, do STF, que deve rejeitar os recursos dos advogados de Cristiane e da Advocacia Geral da União. Juntos, eles lutam para derrubar a liminar que impediu a posse, emitida pelo juiz Leonardo da Costa Couceiro, da 4ª Vara Federal de Niterói (RJ).

A cada dia que o governo luta para fazer da filha de Jefferson ministra do Trabalho, mais se desgasta. Melhor seria se abrisse mão deste carma e fosse ao mercado em busca de outro substituto. Nomes mais qualificados que a jovem advogada, de 43 anos, devem existir, inclusive dentro do próprio PTB, a quem “pertence” a pasta da discórdia. No atual cenário de enfraquecimento, o órgão tem sido entregue a pessoas sem capacidade administrativa ou política. Assim, não exerceu influência nem mesmo na reforma trabalhista, dada a sua atual realidade anêmica. E nomes como Cristiane só reafirmam esta condição de figurante de um ministério tão importante para o País e seus trabalhadores.