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Gastos com calvície chegam a US$ 3,5 milhões ao ano

07/12/2017 9:27 AM / Patrícia Morgado / Atualizado em 07/12/2017 9:27 am

Mais presente entre o público masculino, a alopecia androgenética – popularmente conhecida como calvície – pode atingir homens e mulheres de diferentes faixas etárias. Dados da academia Americana de Dermatologia apontam que, em âmbito mundial, cerca de 2 bilhões de pessoas convivem com o problema, que é ocasionado por fatores genéticos, hormonais e hereditários. Outro levantamento sobre o tema ressalta que, por ano, mais de US$ 3,5 milhões são gastos em busca de soluções para o assunto.

No Brasil, a alopecia androgenética faz parte do cotidiano de mais de 25 milhões de homens. O processo se inicia ainda na adolescência, junto com o despontar dos hormônios e costuma ficar mais evidente na faixa dos 25-30 anos. Neste caso, os fios vão ficando cada vez mais finos até, finalmente, caírem. Nos homens, a queda ocorre com maior frequência na região frontal e na coroa. Já nas mulheres a parte central da cabeça é a mais atingida. “O maior determinante da calvície é a predisposição genética, a herança familiar. Um estudo dos fios de cabelo, tricologia, é sugerido para quem tem parentes de primeiro grau com calvície. O quanto antes o problema for percebido, melhor. Por isso, a indicação é procurar o dermatologista para um tratamento precoce”, afirma Karine Simone, dermatologista da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD).

Laser e microagulhamento ajudam no tratamento

Se a calvície é uma preocupação, os muitos tratamentos são uma esperança. A médica Karine Simone, da SBD, explica que os métodos mais efetivos consistem na associação de comprimidos, como a finasterida, com o minoxidil tópico e a intradermoterapia. “Na intradermoterapia é feita a aplicação direta no couro cabeludo de substâncias que bloqueiam a queda e estimulam o crescimento. Os ativos são aplicados através de pequenas agulhas próximo aos folículos pilosos”, descreve a especialista, que ressalta que o procedimento é feito por dermatologistas quinzenalmente, com tempo de aplicação de 20 a 30 minutos.

Dentre as inovações, em termos de tratamento, encontram-se também as novas vias de aplicação – como laser e microagulhamento – e novos recursos terapêuticos. Em 2016, uma das novidades sobre o assunto foi o surgimento do smo4554, desenvolvido pela startup Samumed, de San Diego (EUA). Ainda em estudo, a substância, de acordo com a empresa, pode, se utilizada devidamente, melhorar a qualidade dos fios e recuperar o bulbo capilar. Já o minoxidil, que tem como característica principal fortalecer os fios, também pode ganhar novas formas terapêuticas. Hoje receitado como uso tópico, já existem estudos com a versão oral, que tem apresentado bons resultados.

 

Implante deve ser aliado no combate à perda capilar

Bastante procurado, o implante é a solução vista por muitas pessoas para combater a calvície. Contudo, para que o procedimento tenha o resultado adequado, é necessário, primeiramente, avaliar se o paciente possui uma boa área doadora de fios. Além disso, vale lembrar que, após o implante, é primordial que se continue o tratamento clínico. “Os fios que foram implantados vão permanecer sem afinar. Porém, é necessário cuidar dos outros, para que eles não afinem e acabem sofrendo o processo de queda. O implante é um complemento ao tratamento clínico”, conclui Dra. Bruna Duque Estrada, da SBD.

Mulheres e calvície

Apesar de serem acometidas em menor número, as mulheres também podem sofrer com a calvície. Segundo a Dra. Karine Simone, dermatologista da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD), cerca de 25% das mulheres ficarão calvas após os 65 anos. Isso não quer dizer que mulheres jovens não sofram com o problema. “Existem mulheres calvas aos 20 anos”, afirma a médica, que ressalta que o tratamento para uma mulher em idade fértil não é o mesmo dado para uma mulher acima de 50 anos. Por conta disso, cada caso deve ser avaliado de forma particular.

A principal diferença no tratamento da calvície feminina em relação à masculina está na dose dos medicamentos e principalmente na idade do paciente. “A feminina não segue o padrão de entradas. Ela começa no topo de forma mais difusa e mantém uma linha fechada. Geralmente, aparece mais tardiamente, no período da menopausa, e o tratamento costuma ser mais eficaz nos homens do que nas mulheres. O minoxidil é um ótimo tratamento tópico”, diz a Dra. Bruna Duque Estrada, coordenadora do Departamento de Cabelos e Unhas da Sociedade Brasileira de Dermatologia.