notíciasCidade

Doenças de trabalho crescem 26% em SP

17/04/2017 9:56 AM / Raphael Pozzi / Atualizado em 17/04/2017 9:56 am

A cidade de São Paulo teve aumento de 26% no número de doenças do trabalho durante o ano de 2016, se comparado com o ano anterior. Isso vai em consonância com o que ocorreu no Estado, já que houve crescimento de 17% nos dados estaduais.

Em 2015, foram 13.156 benefícios de auxílio-doença acidentários para paulistanos. Já no ano passado, esse número saltou para 16.643. Os dados foram solicitados pela reportagem junto ao Ministério da Previdência Social.

De acordo com o professor Vinicius Pacheco Fluminhan, do curso de Direito Previdenciário do Mackenzie Campinas, uma explicação provável é o aumento do desemprego. “Isso causa um reflexo. Alguns trabalhadores possuem tendinite, por exemplo, mas continuam trabalhando por medo de serem demitidos se pedirem auxílio-doença”, disse.

“Sem o emprego, hoje, fica mais fácil ir até a Previdência Social e solicitar o benefício”, comentou. Em virtude da doença, que pode ser detectada em exame admissional, a recolocação profissional fica mais difícil.

Neste caso, o possível beneficiário tem que ter contribuído para a Previdência para ter a cobertura. “É como um seguro”, explicou o professor. Inicialmente ele pode ficar até 12 meses desempregado e, mesmo assim, não perder o direito. “Se comprovar seguro-desemprego, isso é prorrogado por mais um ano”, contou. Outro caso é se houver mais de 120 contribuições consecutivas ou intercaladas, o que também aumenta em 12 meses o seguro.

Foto: Lucas Dantas

Síndrome do pânico é o principal vilão

Segundo o advogado tributarista Gleibe Pretti, professor do curso de Direito da Universidade UNG, o aumento na concessão no Estado tem uma explicação: síndrome do pânico. “Hoje há muita pressão nos funcionários. Muitos acabam sendo afastados por conta da depressão, por exemplo”, afirmou.

A Previdência define como acidente do trabalho o que ocorre pelo exercício do serviço, provocando lesão corporal ou perturbação funcional, permanente ou temporária, que cause morte, perda ou ainda redução da capacidade.

São várias categorias e tipos, como os acidentes típicos, que são decorrentes da atividade profissional do acidentado. Outra forma é de trajeto, caracterizado pelo percurso entre a residência e o local de trabalho do segurado.