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Brasil corre risco de não disputar a Surdolimpíada

18/04/2017 10:30 AM / Raphael Pozzi / Atualizado em 26/04/2017 10:47 am

Perto da disputa da Surdolimpíada 2017, em julho, na Turquia, a Confederação Brasileira de Desportos de Surdos (CBDS) ainda não sabe se terá condições financeiras para levar seus atletas para a competição. A reportagem conversou com a secretária-geral da CBDS, Esmeralda Castro Oliveira, que confirmou a dificuldade em conseguir apoio do Governo.

“Até agora, tivemos várias reuniões no Ministério do Esporte, mas falaram para aguardarmos edital”, contou. O receio é de que o documento seja publicado apenas quando faltarem poucos dias para a viagem. “A gente sabe de muitas famílias que estão fazendo campanhas. Tem gente fazendo rifa, almoço beneficente, pedindo ajuda. Mas está muito difícil”, explicou Esmeralda.

Esse é o caso do atleta Vitor Figueiroa. Ele conheceu atletas da Seleção Brasileira de Surdos em Londrina, no Paraná, disputando algumas partidas. Lateral-direito, foi convocado para defender o Brasil nos jogos Pan-Americanos de Futebol de Surdos, realizados em 2016, em Brasília.

Com as boas atuações, garantiu vaga também na equipe que vai representar o País na Surdolímpiada. Agora ele corre atrás de R$ 10 mil. Com pai caminhoneiro e mãe dona de casa, além do desemprego, a situação fica ainda mais complicada para ele.

Para arrecadar o valor, a amiga de infância de Vitor, Laís Rocha, 21, e outros amigos estão organizando uma campanha para garantir a presença do jogador na Turquia. “Se caso alguém quiser ajudar, pode me ligar”, afirmou. O contato é 94691-9614.

Foto: Divulgação

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Vôlei cria campanha para ter recursos

As jogadoras surdas de vôlei, convocadas para a Surdolimpíada, iniciaram uma campanha na plataforma Kickante. O link para doação é https://goo.gl/aDVlGx.

As meninas têm o título de vice-campeãs no Sul-Americano de 2014 e no Pan-Americano do ano passado. “Essas conquistas não foram suficientes para arranjar patrocinadores e verbas governamentais”, escreveu Hellen Nazaret, uma das garotas, no Facebook. “Queremos mostrar ao mundo que, mesmo diante de tantas dificuldades, não há nada que possa nos impedir de viver um sonho olímpico”, explicou.

R$ 2,9 milhões para 176 atletas

O projeto da CBDS solicita o repasse de R$ 2,9 milhões. São 15 modalidades e o total de 176 atletas. “Sem apoio, não temos condições de levá-los para o evento”. O Ministério do Esporte não se pronunciou. Os atletas surdos criaram a Surdolimpíada porque, para o Comitê Paralímpico Internacional, eles não se encaixam na categoria paralímpica, pois são capazes de participar de competições convencionais. A competição existe desde 1924. A exigência para participar é que o atleta tenha perda auditiva de, pelo menos, 55 decibéis no melhor ouvido. A primeira participação brasileira nos Jogos para Surdos foi em 1993, na Bulgária. A primeira medalha veio em 2009, em Taiwan, quando Alexandre Soares Fernandes conquistou um histórico bronze no Judô, na categoria até 81kg.