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Albergues não têm vagas aos moradores de rua

07/08/2017 10:25 AM / Alfredo Henrique / Atualizado em 14/08/2017 1:51 pm

O número de vagas oferecidas nos 84 Centros de Acolhida de São Paulo não dão conta de abrigar os 12.950 moradores de rua cadastrados pelo Sistema de Atendimento ao Usuário (Sisa) até 23 de junho deste ano.

Mesmo com o acréscimo, em caráter excepcional, de 1.673 lugares, entre maio e setembro, o déficit se mantém. Do total de registros, 21% são mulheres e 79% homens. Os dados não representam a realidade dos desabrigados da Capital. Segundo a Prefeitura, o censo mais atualizado sobre o tema foi publicado em 2015. Nele consta que 15.905 pessoas moravam nas ruas da cidade.

O padre e ativista Júlio Lancellotti afirmou que o censo de 2015 está defasado desde que foi divulgado. Explicou que não foi computada, por exemplo, a quantidade de pessoas que eram assistidas à época em entidades religiosas não conveniadas à Prefeitura. “Só na Missão Belém [ligada à Igreja Católica] eram atendidas cerca de 2 mil pessoas”, disse. O governo municipal também não considera no levantamento habitantes de barracos, pessoas que estavam internadas em hospitais, ou em clínicas de reabilitação, além de indivíduos presos que, após a saída do sistema carcerário, voltaram às ruas.

Ele criticou as respostas, muitas vezes, institucionais da municipalidade. “A Prefeitura nivela todas as pessoas da rua como se contassem com as mesmas necessidades. As respostas precisam ser variadas, pois vivem, nas ruas, idosos, crianças, pessoas doentes [física e intelectualmente]. Não pode haver uma única opção às necessidades dessas pessoas”.

Cena comum – Número de pessoas nas ruas, aparentemente, tem crescido com a crise econômica do País (Foto: Lucas Dantas)

Vida sem casa desde a liberdade

O ex-segurança Francisco Jackson da Silva Oliveira, 48 anos, mora nas ruas de São Paulo há dois anos – tempo em que saiu do sistema carcerário. Afirmou ter cumprido 16 anos e 9 meses de prisão por causa de assaltos que realizou, além de associação criminosa. “Eu errei e cumpri minha pena. O problema é que a sociedade é muito demagoga e não ajuda efetivamente quem precisa”, disse. Ele afirmou buscar emprego diariamente, mas sem sucesso. Oliveira é um dos que faltam no censo da Prefeitura. Ele afirmou não usar nenhum equipamento público e vive perto da Avenida Rebouças, em Pinheiros, na Zona Oeste.